A ideia de explorar a Austrália (quase) inteira de carro ao longo de um mês pode soar um tanto megalômana. Quatro mil quilômetros separam Sydney, na costa leste, de Perth, na costa oeste – “apenas” 40 horas de carro.
Mas já que você terá de passar um bom tempo no avião para chegar do Brasil até lá, por que não tentar? Pensando nisso, criamos um roteiro pelas estradas australianas em seis passos, incluindo as melhores praias e recifes de coral, além de atrações no campo e nas cidades. A caravana sai de Cairns e gira em sentido horário até chegar a Darwin. Preparado? Aí vamos nós…
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1. Cairns – Brisbane

Cairns fica em Queensland, o segundo maior estado australiano. Muitos turistas chegam a essa cidade de 150 mil habitantes e clima tropical em busca de duas atrações: a Grande Barreira de Corais (lembrou de Procurando Nemo, né?) e as praias da ilha de Whitsunday, 100 km dali.
Os tours para a Grande Barreira de Corais partem de Aplin Sts ou do Reef Terminal. Passeios partem ao longo de todo o dia e os ingressos podem ser comprados em diversos locais. Custam a partir de AU$ 99 (R$ 208). Em Cairns, nós recomendamos o Travellers Oasis, um hostel pequeno com piscina, jardim tropical e ar-condicionado nos quartos.
Se você pegar a A1 de Cairns em direção Sul, passará por mais de dez parques nacionais. Uma parada interessante e conveniente, na metade do caminho até a praia de Airlie, é Townsville. Se você estiver em busca de ainda mais natureza, rume para a ilha de Magnet, um parque nacional a 20 minutos dali, e aprecie o Mount Cook, que fica ao centro do parque.
De Townsville você levará 3 horas até Airlie, uma praia de ares hippies e cheia de surfistas. Dali também é possível pegar um barco para as ilhas Whitsunday. Trata-se de um arquipélago composto por 74 ilhas, que podem ser acessadas de barco ou avião. Embora de difícil acesso, uma boa dica é visitar a praia de Whitehaven.
Para compensar a overdose de praias, vale parar em Rockhampton, a capital australiana da carne bovina. Confira a cidade histórica à beira do rio Fitzroy pegando a Heritage Route e, se quiser, alimente crocodilos na hora do almoço na Koorana Crocodile FarmSe for tarde, é melhor procurar um hostel (como o Rockhampton Backpackers YHA), porque as ruas e estradas da região, à noite, são tomadas por caminhões e animais – cangurus são animais de hábitos noturnos e costumam se deslocar ao cair da tarde. Na manhã seguinte, cheio de energia, você pode percorrer 400 km até a ilha de Fraser, uma alternativa à sempre mencionada Hervey Bay (mas superlotada por turistas). A ilha de Fraser, por sua vez, é a maior ilha de areia do mundo. Pegue o ferry a partir de Rainbow Beach para curtir algumas das 200 piscinas naturais, as florestas ou o céu cheio de estrelas à noite.
Se você não aguentar o trajeto até Brisbane sem paradas, dê um descanso em Noosa, um dos primeiros pontos de surfe da Sunshine Coast. Embora tenha sido paraíso dos surfistas nos anos 60, hoje Noosa é um destino gastronômico e ainda conta com um parque nacional homônimo. Depois da parada, de volta à Bruce Highway, apenas 2 horas te separam de Brisbane.
Terceira maior cidade da Austrália, Brisbane oferece ótimas opções.  Relaxe e alongue as pernas em um dos parques do distrito de New Farms, ou caminhe ao longo do rio Brisbane. Explore arte contemporânea na Gallery of Modern Art(GoMA) ou espie uma partida de cricket no Gabba Stadium.
Com tanta oferta, Brisbane é uma cidade para passar uma ou duas noites, valendo visitar até pontos mais distantes. Se encaixam nessa categoria o santuário selvagem Lone Pine Koala SanctuaryUm bom local para se hospedar é Brisbane City YHA, com piscina e uma vista linda da cidade do seu terraço.


2. Brisbane – Sydney

A próxima parada é a Gold Coast, que concentra, numa área de 70 km, tudo o que a costa Leste australiana tem a oferecer: arranha-céus, parques temáticos e shopping centers. Não é por acaso que a cidade é conhecida como a “Las Vegas da Austrália”. Há praias ali, também (35 km ao todo), e a mais famosa é Surfers Paradise.
Uma opção bem mais calma a uma hora ao sul (88,4 km) é Byron Bay. Logo depois de cruzar a divisa para New South Wales, você chegará a essa cidade de 9 mil habitantes ideal para praticar rafting, surfe e mergulho. Aos românticos, a dica é uma longa caminhada no farol de Cape ByronSe precisar pernoitar ali, a dica são os quartos privativos de Nomad Byron Bay. Caso sobre tempo, considere o passeio por Nimbin, um vilarejo situado num território sagrado para os aborígenes que se tornou famoso com o Aquarius Festival, em 1973 – hoje, sobram apenas alguns hippies e a fama de “capital australiana das drogas”. Nimbin também é conhecida por uma formação rochosa encontrada apenas ali, além do Hangin Rock Creek, com belas cachoeiras ao final da Stony Shute Road.
Há três maneiras de suavizar o longo percurso de 780 km até Sydney. A primeira opção é parar em Woolgoolga para curtir as ondas. Outra: a apenas 20 km dali, em Coffs Harbour, o YHA Backpackers Resort é uma ótima opção de estadia. A quantidade de restaurantes na região de Coffs Harbour aumentou muito nos últimos tempos, assim como a de bares e de casas noturnas. Durante o dia é possível alugar pranchas e bikes.
A terceira opção: na metade do caminho, após quatro horas de estrada, você pode parar em Port Macquarie. Enquanto a arquitetura conta a história colonial da Austrália, o Billabong Koala Park enaltece um de seus habitantes mais festejados: os coalas.
Conforme você continua dirigindo pela M1, o trânsito e a densidade urbana vão aumentando. É sinal de que você está chegando a uma das cidades mais bonitas do país: Sydney. Você pode passar muitos dias por ali, conhecendo atrações como a Opera House, a Harbour Bridge ou Bondi Beach.
Sydney Harbour YHA fica perto do porto e oferece uma vista incrível do último andar. Se preferir árvores e chão de terra batida em vez de prédios espelhados e vida urbana, programe um passeio para o parque natural de Blue Mountains. Não importa a época do ano, as pedras e montanhas do lugar sempre terão algo novo (e colorido) para te mostrar.

3. Sydney – Melbourne

Da cidade mais bonita você irá para a mais descolada. O charme de Melbourne é único, e no caminho você pode passar por Camberra, capital do país que, apesar de considerada meio chatinha pelos australianos, se revela uma cidade fascinante e cheia de verde. Ali, visite o lago Burley Griffin e escale o Anzac Parade para curtir a vista de prédios do governo, como o Parlamento. Vale explorar também os restaurantes asiáticos no distrito de Dickenson e a vida noturna da cidade.
Conforme você avança para o Sul, o clima vai se tornando mais diferente. Há neve e paisagens especiais conforme você anda pela Barry Way e avista as Snowy Mountains.
Amantes de frutos do mar podem se refestelar na região de Gippsland Lakes, maior porto de pesca da Austrália. E depois dos excessos gastronômicos, podem tirar uma soneca nas areias de Mile Beach. Se quiser mais peixe, procure o vilarejo de Fish Creek – que fica no caminho para o parque nacional de Wilsons Promontory, reserva de floresta tropical e praias.
Esta é a região que marca o início da Great Ocean Road. Mas calma! Você ainda precisa passar uns dias em Melbourne. United Backpackers é uma opção popular de hospedagem entre os mochileiros. A cidade é ótima para orçamentos apertados: o tram (bonde) do City Circle é grátis, assim como a maioria dos museus e das galerias. Aí você pode passar um tempo em cafés arrumadinhos e de nomes bem pensados, como o Seven Deadly Sins (sete pecados mortais).
A variedade culinária, aqui, se compara à artística: é possível encontrar comida africana, grega e, claro, australiana. O subúrbio de St. Kilda tem ótimos cafés para tomar brunch, e o calçadão da praia oferece uma vista especial de Melbourne. Amantes de tênis devem obrigatoriamente passar pela Rod Laver Arena no rio Yarta, e fãs de natureza podem relaxar no jardim botânico na porção sul do rio.
Passada a experiência em Melbourne, é hora de percorrer os 243 km da Great Ocean Drive – recomendamos especialmente o passeio entre Torquay a Allansford, que oferece uma experiência única por essa estrada construída por soldados que retornaram da 1a Guerra Mundial.


4. Melbourne – Adelaide

Torquay também é conhecida como a capital do surfe do estado de Victoria e recebe, toda Páscoa, o campeonato Rip Curl Pro (que atrai os melhores surfistas do mundo todos os anos).
A próxima cidade, Lorne, é um belo refúgio que atrai muitos moradores de Melbourne em passeios de um dia pelos cafés e restaurantes do local. Quando deixar a cidadela, desvie até o mirante Teddy’s Lookout (é só seguir as placas para George Street). Deste ponto, você pode ver o percurso da Great Ocean Road pela costa australiana.
O próximo trajeto te levará até Apollo Bay, passando pelo parque nacional de Great Otway. Esta é uma área de pesca que se tornou casa para muitos artistas e músicos nos últimos anos. É possível comprar arte local no Foreshore Market (todos os sábados, das 8h30 às 16h30) ou assistir aos shows dos residentes locais durante à noite.
Carregue a bateria da sua câmera e vá passear pela Shipwreck Coast, assim batizada pela quantidade de naufrágios ali registrados – acredita-se que 650 navios se acidentaram nessa área, e apenas 200 puderam ser resgatados.
Antes da Shipwreck Coast, mais fáceis de encontrar, estão formações rochosas que emergem das profundezas do mar e se destacam na paisagem. Entre as mais conhecidas está o conjunto conhecido como The 12 Apostles, em Loch Ard Gorge e London Bridge – note, no entanto, que hoje existem apenas oito, já que quatro ruíram graças à ação do clima e da erosão. Apollo Bay Eco YHA é a dica de hostel por lá.
De Apollo Bay, você levará três horas até Port Fairy, último ponto da Great Ocean Drive. Se você partir cedo, pode programar uma visita de barco à ilha de Lady Julia Percy, que detém grandes colônias de focas, golfinhos, baleias e tubarões.
Amantes de vinho vão curtir os 700 km até Adelaide. Depois de ter deixado a costa Sudeste da Austrália para trás, pare no Blue Lake, aos pés do vulcão (extinto) deMount Gambler. Entre novembro e fevereiro, o lago ganha uma coloração azul bem marcante – fazendo jus ao nome. E não perca a chance de provar um cabernet sauvignon em Coonawarra.
Mais vinhedos podem ser encontrados no McLaren Valley, antes da chegada a Adelaide. A região tem 45 vinícolas e turistas podem fazer degustação em algumas delas. Para acompanhar a bebida ou estocar lanchinhos de viagem, a região tem boa oferta de amêndoas, queijo, azeitonas e berries. Depois, é só dirigir até Adelaide. Dois ou três dias são suficientes para visitar atrações como o Rymill Park, a praia de Glenelg e a ilha de Kangaroo – além de adegas da região. E, à noite, não perca a boa oferta de shows.

5. Adelaide – Alice Springs

De Adelaide, você pode tanto pegar o Ghan Train até a cidade tropical de Darwin(na ponta oposta do país) ou seguir de carro pela Explorers Highway (o trajeto todo pode durar 11 dias). Em qualquer uma das opções, a certeza é que você irá explorar as maravilhas desse deserto de terra avermelhada -incluindo Ayers Rock.
Se você ainda quiser levar mais vinhos para casa, a última chance é parando emPort Augusta. Rodeada pelo Barossa Valley, a região produz vinhos das uvas Shiraz e Riesling. Daqui, siga deserto adentro, deixando rastros de terra vermelha para trás. Inspire-se no escocês John McDouall Stuart (1815-1866), primeira pessoa a cruzar a região central australiana do Sul ao Norte. Já pensou como foi difícil para ele (e sua comitiva) percorrer os 2.722 km até Darwin?
Se você estiver viajando com mais pessoas que dirigem, esforce-se para percorrer o trajeto entre Port Augusta e Alice Springs sem paradas. Leva 16 horas, mas poupa os gastos com pernoite. Se não der, Coober Pedy, cidade de exploração de minérios, é uma boa opção. A maioria das atrações aqui são diurnas, como a impressionante Underground Art Gallery. À noite, não deixe de contemplar o céu cheio de estrelas, mais brilhante que as luzes da cidade.
Daqui, você levará sete horas até Alice Springs, e a cidade mais próxima é Ayers Rock (Uluru), a 450 km de distância. A cidade é cheia de restaurantes e bares e muita história e arte aborígenes também. É considerada sagrada para o povo Ananga, cuja história está documentada e remonta a 5 mil anos. Outro destino interessante por aqui é o parque nacional de Watarrka, ótimo para escaladas, caminhadas ou mesmo para nadar (recomendamos uma das piscinas do Garden of Eden). Não perca o pôr-do-sol, sempre espetacular nessa região de cânions.

6. Alice Springs – Darwin

Quando estiver pronto para deixar esse lugar tão especial para trás, siga para o Norte e, no caminho, repare no Tennant Creek. É um destino repleto de histórias da cultura aborígene que podem ser conhecidas em detalhe no Nyinkk Nyunyu Culture Centre. Se for hora para relaxar da viagem, siga para as águas termais de Mataranka, próximas ao parque nacional de Elsey. Depois disso, você estará revigorado e a apenas uma hora de Katherine, cidade de 6 mil habitantes encravada no parque nacional de Nitmiluk, região rodeada por cachoeiras e do espetacular desfiladeiro de Katherine.
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Siga mais 320 km até chegar a Darwin, capital do território Norte do país, ponto onde sua jornada termina. Aproveite o ponto final explorando os mercados de rua e sua gastronomia cheia de influências, o impacto da 2a Guerra na Austrália ou passeando de barco ao final do dia. Relembre todas as paisagens encontradas no país – e prepare as malas para voltar para casa, cheio de recordações.
Obrigado a brewbooks, cyron, thinboyfatter, edwin.11, pallotron, Looking Glass, JAK SIE MASZ, teloro e [email protected] pelas imagens do Flickr (com Creative Commons).

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